O PROFETA DO ACONTECIDO

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Sábado, Outubro 06, 2007

 
Memória
SALVE BODINHO
Magro, baixo, o atacante Nílton Coleho da Costa foi um dos maiores artilheiros do Internacional

Ataque infernal: Larri e Bodinho


Pernambucano, vindo de uma família humilde, criado com muita dificuldade pelos pais ao lado de vinte e dois irmãos. Uim homem que, em 1950, aos 22 anos, quando chegou ao Rio Grande do Sul, aprendeu a amar essa terra e a venerar um clube de futebol.

Foi em Porto Alegre que Nílton Coelho da Costa conquistou as maiores conquistas de sua vida: o nascimento de sua filha e de suas duas netas, e a consagração por ser idolatrado pr uma multidão. Tímido, trabalhador, humilde, não admitia perder: tinha dificuldade em assimilar derrotas. Desde a infância dificil no Nordeste até a velhice no Sul, quando sofreu com cancer de próstata por dez anos e com o Mal de Alzheimer durante dois, ele conquistou uma verdadeira legião de fãs que sempre terá namemória um homem que era capaz de realizar façanhas em um campo de futebol. Bodinho chegou no Internacional em 1951. Permaneceu por oito anos. Conquistou três campeonatos gaúchos, participou da conquista do Pan de 1956 e fez parte de um dos maiores times da história do clube.

Eliane Alves da Costa é a sua única filha. Ainda tentando se recuperar da morte do pai e tem em sua volta todo o acervo da carreira do jogador. São fotos, revistas, camisetas e a chguteira usada por ele no México.

- Meu pai não foi só um jogador - relembra Elaine - Foi um filho maravilhoso, que ajudou a família, nunca esqueceu suas raízes, foi um excepcional marido e pai.

Falar em Bodinho é falar em Larri. Amigos, parceiros, irmãos. Os dois jogaram juntos por seis anos e formaram uma dupla de ataque que consagrou a tabelinha. Ambos levaram a Seleção ao inédito título do Pan.

Eu o conheci ainda jogador do Flamengo – relembra Larri. - Eu ver um jogo com o meu irmão no campo do Vasco em 49, foi o Flamengo contra o Arsenal, da Inglaterra, e o Flamengo venceu por três a um. E a ala direita era Luizinho e Bodinho. Eu fiquei encantado com o jogo. Mal sabia eu que, anos fepois, eu estaria jogando com ele. Quando eu cheguei no Inter, ele morava na concentração dos Eucaliptos e eu também, se é que a gente podia chamar de concentração. O estádio não apresentava concentrações. E morávamos no mesmo quarto, e o Bodinho era um sujeito que tudo tinha que ser limpinho. Ele às vezes bonqueava comigo. Ele tinha uam coisa interessante: quem não o conhecesse imaginava que ele estava brabo, na verdade ele não estava brabo, era a maneira de ser. Era uma característica dlee muito interessante é que, quando ele começava a ficar irritado com alguma coisa, tinha uma veia do pescoço dele que saltava, que nos colocamos o aleido de “ dona Leonor”. E nós ríamos, e ele se acalmava um pouco.

O seu começo de carreira foi com muita dificuldade. A família não permitia que ele jogasse futebol. Por isso, a solução foi fugir de casa, como revela Elaine:

- Meu vô era uma pessoa muito rica, e ele trabalhava numa fábrica. O meu avô acabou perdendo, e minha vá, como teve vinte e três filhos, encasquetou que queria botar o nome de Wilson e alguém. Desses vinte e três, dez se criaram, e com muita dificuldade, de passar fome. E ele fugiu lá de São Luís. Os pais dele não queriame ele era menor de idade.

A sua carreira no futebol foi em meados dos anos40, jogando pelo Íbis. Larri confidencia que essa passagem no agradava a ele:

- Ele começou lá e não gostava que soubessem. Depois ele foi para o Flamengo. Ele foi um jogador que, comigo, foi quando ele mais se adptava.

Do Íbis, ele foi para o Sampaio Corrêa, e atuou lá por um ano, até chegar no Rio. Na Capital, ele conheceu Luizinho, que mais tarde seria o seu companheiro no Internacional e na Seleção Brasileira. Foi Luizinho quem trouxe Bodinho para Porto Alegre.

Eu o conheci no Flamengo – relembra Larri. - Eu ver um jogo com o meu irmão no campo do Vasco em 49, foi o Flamengo contra o Arsenal, da Inglaterra, e o Flamengo venceu por três a um. E a ala direita era Luizinho e Bodinho. Eu fiquei encantado com o jogo. Mal sabia eu que, anos fepois, eu estaria jogando com ele. Quando eu cheguei no Inter, ele morava na concentração dos Eucaliptos e eu também, se é que a gente podia chamar de concentração. O estádio não apresentava concentrações. E morávamos no mesmo quarto, e o Bodinho era um sujeito que tudo tinha que ser limpinho. Ele às vezes bonqueava comigo. Ele tinha uam coisa interessante: quem não o conhecesse imaginava que ele estava brabo, na verdade ele não estava brabo, era a maneira de ser. Era uma característica dele muito interessante é que, quando ele começava a ficar irritado com alguma coisa, tinha uma veia do pescoço dele que saltava, que nos colocamos o aleido de “ dona Leonor”. E nós ríamos, e ele se acalmava um pouco.

A sua carreira no futebol foi em meados dos anos 40, jogando pelo Íbis. Larri confidencia que essa passagem no agradava a ele:

- Ele começou lá e não gostava que soubessem. Depois ele foi para o Flamengo. Ele foi um jogador que, comigo, foi quando ele mais se adptava.

Do Íbis, ele foi para o Sampaio Corrêa, e atuou lá por um ano, até chegar no Rio. Na Capital, ele conheceu Luizinho, que mais tarde seria o seu companheiro no Internacional e na Seleção Brasileira. Foi Luizinho quem trouxe Bodinho para Porto Alegre.

Em 1951, Bodinho chega ao Internacional, onde se torna um dos principais jogadores de um time considerado fora de série – o Rolinho. Quem atuou nessa equipe, lembra até hoje daquela escalação. E Milton Vergara é quem lembra daqueles onze amigos:

- Era Mílton, Florindo e Oreco; Paulinho, Salvador e Odorico, Luizinho, Bodinho, Larri, Jerônimo e Chinesinho. O Paulinho foi para o Vasco e o Salvador para o Peñarol, e o time se desmanchou um pouco.

Jogadores como Mílton e Larri lamentam que não existia tevê naquele tempo. No entanto, para quem não o viu jogar, os companheiros relembram quem foi o artilheiro colorado.

- Naquela época, a gente tinha dificuldade de ser reconhecido nos grandes centros- diz Mílton. 'Não tínhamos tevê nem jogos contra times de Rio e São Paulo, a não ser amistosos. Jogávamos mais de quarenta partidas por ano, e de vez em quando o Flamengo tinha aqui, o Botafogo, o Vasco, eles vinham, mas não tinhamos aquele reconhecimento.

Larri conta que ele tinha uma obssessão: o gol. Obsessão que gerou muitas histórias.

- Uma passagem dele que eu considero fantástica foi a campanha do Pan, no Mexico. Nós estávamos na penúltima partida, jogando contra a Costa Rica. Até então, ela era a grande sensação do campeonato, junto com o Brasil. Mas, naquele dia, nós estávamos com o espírito dos grndes jogadores, e começamos a fazer gol na Costa Rica. De cara um fiz dois, daqui a pouco o Chinesinho fez um, aquela coisa. No segundo tempo já estava cinco a um para nós nos vinte do segundo, até que o Luizinho entrou pela ponta e deu coma bola prá trás, e houve um choque do Bodinho com o goleiro. Ea bola ficou parada na risca da prquena área. E o goleito e o Bodinho no chão, eu vim para fazer o gol. Quando ele me viu, ele puxou a bola deitado com o pé, e ainda me xingou: “você já fez três, deixa eu fazer o meu!”. E eu nunca vi alguém reclamar fazendo gol e reclamando com o companheiro.

Talvez por isso, hoje Bodinho seja considerado um dos maiores goleadores da história do futebol gaúcho. Nos arquivos, são registrados 193 gols em oito anos. “Ele foi, no meu entendimejto o maior artilheiro da história do Inter”, diz Larri. “ele tem uma média de quase 90% de gols, em quase cem jogos ele fez noventa. No Gauchão, se fala que o Baltazar é o mahor,mas não é. O Baltazar fez 28 gols mas em quarenta e cinco jogos (na verdade, ele fez os gols prelo Citadino, e não pelo Gauchão, que foi apenas um, de acordo com a fórmula do Campeonato até 1959, quando o título era disputado pelos campeões por região). O Bodinho fez vinte e cinco em dezoito jogos.

Mílton Vergara explica que o excesso de gols vinha do fato que ele não admitia perder.

- Só queria ganhar, ele ficava enjoado, ele nos desnorteado, porque ele não admitia perder. Deus me livre se a gente tomasse gol, ele vinha brigar com todo mundo. Qualquer coisa ele se irritava, porque domingo a gente em campo, e empate era derrota. Nem no departamento de ex-atletas ele queria perder, ele queria ganhar sempre. Aconteceu quando a gente foi jogar com os veteranos do Taquarense. Ele driblou o goleiro e chutou para o gol, mas aí tinha um garoto enconstado na trave que tirou a bola com a mão, e ele foi brigar com o garoto, porque o juiz não validou. A gente foi apartar: prá que brigar com o garoto. O Bodinho disse: “ nas ele não me deixou fazer o gol!”. Ele era sssim.

Larri reafirma a dificuldade de Bodinho em não aceitar a derrota:

- Ele era o tipo de jogador que o gol era tudo, o resto ele deixava de lado.

Míltion e Luizinho contam que Bodinho aprendeu a viver como gaúcho em Porto Alegre, e o chimarrão se tornou o companheiro inseparável

- Ele era metade pernambucano e metade gaúcho. Tanto que ele conseguiu o título de campeão no Brasil pela seleção Gaúcha. Ele era chegado num chimarrão. No começo ele diz que era só água quente, e depois ele se afeiçoou que não largava. E a gente mexia com ele: “como é, pernambucano, tu não dizia que era água quente?”. Ele dizia que era gostoso, e botava uma ervinha - diz Luizinho.

A gente estava sempre conversando, porque ele falava que tomava chimarrão, e todo dia eu me escorava nele porque ele tava sempre tomando chimarrão - diz Mílton.

Bodinho não escondia de ninguém que, além de amar a família, ele amava o Internacional.

Um dos momentod altos de Bodinho no Inter foi no Festival de Inauguração do Olímpico, em setembro de 1954:

- No Grenal, o Grêmio organizou um triangular com o Liverpool, do Uruguai, e Inter. No primeiro jogo entre Liverpool e Inter, o destaque foi ele, Bodinho. Ele fez três gols, e o Larri um, ganhamos de quatro a zero.

Larri foi o destaque da partida, marcando quatro dos seis a dois impostos pelo “visitante”. Segundo Larri, Bodinho tinha certeza absoluta que o colorado iria ganhar. “havia uma diferença entre os dois estádios, o Olímpico era mais bonito. Mas o interessante foi que o Grêmio fez o primeiro gol e fez o último. Eles fizeram o primeiro logo com quatro, cinco minutos. De repente, nós viramos. O Jerônimo empatou com um chute be belíssimo de fora da área. Depois, eu tive uma seqüência de três gols.

No segundo tempo, houve o lance polmico, do Sérgio Moacir, em que o Luiizinho atravessou a área do lado esquerdo, do lado da social, ele atravessou em diagonal para a direita, e atrás dele veio o Ênio Rodrigues, ele parou a bola na altura do pênalti. O Ênio estava tão tonto com a partida que ele estava atrás do Luizinho, e a bola ficou parada. E o Canhotinho veio e deu um bico que fez a bola voar por cima do Sérgio. Ele se irritou e saiu da goleira. E nós, eu não estava entre eles, começaram a chamar ele de volta.

Um momento histórico: a origem da tabelinha Bodinho e Larri. Este lembra que o toque de bola rápido, característica do Inter daquela época, colaborou muito para que eles consagrassem a jogada.

- A tabela surgiu em ciscunstância do próprio futebol da época. Aquele futebol permitia que o jogador inteligente pudesse fazer jogadas de toque”, diz Larri. “Nós fizemos um jogo amistoso contra o Esportivo de Bento, que tinha um bom time. O Grêmio e o Renner foram jogar lá, e perderam. É que se jogava naquele tempo com o famoso “ beque de espera”. E o Esportivo jogava com um atleta parado. Fomos lá, e o nosso time era de toque de bola: eu, Jerônimo, Chinesinho, Bodinho. Todos tabelavam e tocavam. Quando a gente triangulava em direção à meta,a gente passava por um, por outro, e de repente o zagiueiro ficava entreos dois. Posi bem, em vinte minutos de jogo, a gente estava vencendo de cinco a zero! O treinador, que era argentino, foi até o banco do Inter e pediu ao teté para que o time parasse de fazer gols no esportivo, senão ele corria o risco de ser demitido. A tabela decorria de uma coisa, precisava de alguém inteligente. Aí, sem falsa modéstia, eru tinha essa capacidade de saber triangular. Eu tocava e saía para receber, e devolvia para o Bodinho, eu o servia em muitas jogadas, porque eleera inteligente, ele sabia procurar os espaços.

Mas a maior conquista de Bodinho no futebol foi o título do Pan de 1956, no México. A Seleção Gaúcha representou o Brasil,e em cinco partidas, Bodinho fez trs gols. “Me lembro que o Bodinho foi uma grande figura naquela campanha”, lembra Fernando Veronezi, radialista. “ Outra figura muito importante foi o Ênio Andrade, era o meia-esquerda. O ponta era do Floriano (Raul Klein). O time eraSérgio, Florindo e o Duarte, do Pelotas. Depois Oreco, Odorico e ênio, Luizinho, Bosinho, Larri e o Raul”.

Bodinho era unanimidade até no arquirival. Quem viveu esse período foi o torcedor gremista Salim Nigri:

- Eu admiro o outro lado. Se o cara é bom, é bom, não adianta. E a gen te acabava adimirando. O jogador que eu mais gostava no Internacional na década de 70 era o Valdomiro. E o Bodinho era o atacante, ele tava sempre dentro da área, era um grande jogador.

Por que Nílton era chamado de Bodinho? Existem três versões. Segundo Eliane, diz-se que a origem vem de sua capacidade de cabecear a bola. Mas ela tem outra versão: “desde pequena eu ouvia a históiria que o apelido veio do fato que ele era muito chorão, ele chorava feito um bode, tanto é que eu tenho uma foto dele rindo agarrando um bode”. Mílton, porém, tem outra: “ na concentração, o Bodinho disse que era chgamado de Bodinho porque, quando ele era criança, ele gostava de mamar nas tetas das cabritas, então veio o apelido”.

Fonte: programa Bodinho, Uma Estrela, Um Ídolo, produzido pela equipe de esportes da rádio Guaíba (www.guaiba.com.br)
posted by Marcelo Xavier 7:34 PM


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